Arte e Psicanálise, uma confissão?

Tingimos o mundo com nosso mundo interno, como pintores e suas telas em branco. Para a Psicanálise, a arte se associa à clínica sempre soberana pelo processo criativo que ambas implicam e pela singularidade de cada obra de arte e de cada análise. O artista revela-se colocando na arte algo de si, algo que lhe pertence e que lhe escapa e coloca em circulação no mundo. Como uma confissão de seus desejos sendo projetados ao espectador, alguém passivo que é afetado, atingido e muitas vezes perturbado, pois aquilo lhe invade em lugares que ele mesmo por vezes desconhece.

No fundo cada um consegue ver o que é possível, pois acabamos atribuindo ao ambiente, pessoas, relações, aos próprios sentimentos, pensamentos, desejos, impulsos aquilo que se é. Muitas vezes desconhecemos nossa própria autoria e acabamos por expelir no mundo e o nome disso é projeção. Enquanto mecanismo de defesa ela opera em situações de conflitos quando internamente algo é inaceitável sentir.

Desta forma é possível ver e ouvir o que perpassa a nossa própria existência e isso não é uma crítica, só é uma (+UMA) questão da nossa condição humana.

Será que no final a arte nos mostra que todo conselho é quase uma confissão?

Jessìca Míra Psicológa & Psicanalista

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